Notícias e bastidores da Política
A visão crítica e independente sobre a política nacional.
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O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, rebateu nesta sexta-feira (18) o presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, que classificou organizações criminosas brasileiras como terroristas e disse que o Brasil não consegue enfrentar as facções. 

A declaração de Lula ocorreu durante evento oficial no Rio de Janeiro, que reuniu a cúpula da segurança pública nas esferas federal, estadual e municipal.
O presidente defendeu retomar territórios ocupados por traficantes no Rio.
“Nós precisamos ganhar do crime organizado. Eu não aceito a ideia de que as facções são terroristas, como diz o Trump”, afirmou.
Segundo Lula, “quando Trump fala em terrorismo, ele fala em terrorismo de Estado, briga pelo poder”.
“Quem era isso? Era o [ex-presidente Jair] Bolsonaro tentando dar o golpe de 8 de Janeiro. Isso é terrorismo. Pensando em matar Lula, [o vice-presidente Geraldo] Alckmin e até o [ministro do Supremo Tribunal Federal] Alexandre de Moraes. Esse era o plano. Isso é terrorismo de Estado”, discursou.
O ex-presidente Jair Bolsonaro foi condenado, em março deste ano, a 27 anos três meses de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Ele foi considerado culpado de diversos crimes, entre eles a ciência de um plano para matar Lula e o vice-presidente, Geraldo Alckmin.
Lula criticou Trump novamente ao afirmar que o país precisa reforçar a vigilância na região da margem equatorial, no norte do país, e no pré-sal, litoral do Sudeste. Nas duas regiões, há exploração de petróleo.
“Nós temos que tomar conta porque o Trump está aí. O Trump está aí atrás de minerais críticos, atrás de petróleo, atrás de terra rara”.
No último dia 15, em documento anual enviado ao Congresso norte-americano, Trump criticou o governo brasileiro por, na visão dele, ter falhado no enfrentamento às facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV).
Em maio, o governo dos EUA já havia designado o PCC e o CV como organizações terroristas estrangeiras.
Durante a cerimônia no Rio, foram demonstrados convênios assinados entre os governos federal, estadual e municipal, direcionados a três frentes:
– Proteção integrada dos corredores logísticos, em parceria entre o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e o governo do estado: combate à mobilidade de criminosos e roubo de cargas, entre outros crimes. As ações acontecem nas divisas entre estados do Sudeste e importantes vias arteriais do Rio, como a Avenida Brasil, Linha Vermelha, Linha Amarela e os acessos ao Porto e ao Aeroporto Internacional.

– Política Estadual de Reocupação Territorial, firmada entre o ministério e o governo do estado: a finalidade é reduzir o controle territorial, armado e econômico das organizações criminosas e fortalecer a presença estatal. Inclui atuação sobre mercados explorados pelo crime.
– Capacitação da Força Municipal: em parceria com a prefeitura, entes federais, como a Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) e a Polícia Rodoviária Federal (PRF), colaboram na formação de turmas de elite da Guarda Municipal do Rio, denominada de Força Municipal, composta por agentes armados.
Os convênios com o estado foram assinados no início de setembro e têm vigência de 60 meses. A parceria com a prefeitura foi firmada em agosto de 2025 e vale por três anos.
O presidente Lula defendeu que o Rio é uma espécie de laboratório para as ações integradas de segurança nas três esferas. “Se der certo no Rio, vai dar certo em todo o território nacional”.
O governador interino do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto, afirmou que as ações em conjunto com o governo federal resultam em maiores apreensões, como as de drogas, e defendeu a soberania do país no combate ao crime.
“O Brasil tem condições, sim, de, por si, seguir em frente e realizar as atividades próprias da segurança. Não é o caso de sermos tutelados”.
O prefeito carioca, Eduardo Cavaliere, explicou que uma das integrações realizadas pela prefeitura é o compartilhamento de informações de inteligência e monitoramento em vídeo de vias.
O evento foi no Complexo da PRF, onde também funciona a sede da Força Municipal, no entroncamento da Avenida Brasil e Rodovia Presidente Dutra, porta de entrada para municípios da região metropolitana, como São João de Meriti e Duque de Caxias.
“Uma realização como a de hoje dá um sinal muito claro para a população de integração entre as forças, com impacto em todas as cidades da região metropolitana”, disse Cavaliere.
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Um projeto de R$ 1 milhão destinado pelo deputado federal Mario Frias (PL-SP) ao Instituto Conhecer Brasil (ICB) não foi executado conforme previsto, segundo informações reunidas pela Polícia Federal (PF) e que fundamentaram a Operação Make Up, deflagrada nesta quinta-feira (10) para investigar suspeitas de desvio de recursos públicos oriundos de emendas parlamentares. Autorizada por decisão judicial do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), a ação policial cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, no Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal.

Além de Frias, que foi alvo de busca e apreensão em sua residência e teve equipamentos eletrônicos apreendidos, a produtora Karina Gama, do filme Dark Horse, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, também foi alvo dos mandados. Ela é presidente do ICB, entidade beneficiária de duas duas emendas do deputado que totalizavam R$ 2 milhões.
Segundo a decisão de Dino, cujo sigilo foi retirado pelo ministro do STF, um dos projetos financiados por essas emendas de Frias não foi devidamente executado. Trata-se da iniciativa Jovem Empreendedor, no valor de R$ 1 milhão, que previa capacitar 250 multiplicadores e atender 2.250 estudantes, na região de Pirassununga, interior de São Paulo, mas a Controladoria-Geral da União (CGU) constatou que essas metas não foram cumpridas. O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) posteriormente rejeitou a prestação de contas por frustração do objeto pactuado.
A investigação também encontrou falhas na execução do projeto Lutando pela Vida, financiado por outra emenda de Mario Frias, também no valor de R$ 1 milhão. Embora a CGU tenha identificado indícios de realização de atividades esportivas, o órgão considerou insuficiente a comprovação da execução integral do projeto, que previa atender 500 beneficiários, além de apontar problemas na comprovação da entrega de materiais e da prestação de serviços pagos.
A investigação da PF identificou uma cadeia de transferências entre empresas ligadas ao instituto e a produtora do filme, mas não conclui, até o momento, que os valores transferidos à produtora tenham origem direta nas emendas. De acordo com a apuração, no início de 2025, um total de R$ 700 mil de recursos recebidos pelo ICB a partir dessas emendas de Frias foi repassado a empresas ligadas ao grupo de Heric Dias, um dos empresários alvos da operação desta quinta. Foram R$ 400 mil à Dinâmica Editora e R$ 300 mil ao Instituto Super Poder Educacional, no âmbito do projeto Jovem Empreendedor.
Posteriormente, no fim dde 2025, no contexto das filmagens de Dark Horse, outra empresa do mesmo grupo de Heric Dias, a NTT Brasil, transferiu R$ 750 mil à Go Up Entertainment, produtora do filme. A PF investiga se os recursos públicos circularam por essa cadeia até chegar à produção do filme.
A investigação identificou uma transferência de R$ 645,4 mil feita por Mario Frias, com recursos de sua própria conta, à Go Up Entertainment durante o período de produção do filme. A PF questionou a compatibilidade dos repasses com os rendimentos declarados pelo deputado. O salário de parlamentar é de R$ 44.008,52 mensais.
Ao longo de novembro do ano passado, a Go Up movimentou cerca de R$ 19 milhões. Parte dessas despesas ocorreu durante as filmagens, com R$ 906,8 mil para o Hotel Unique, R$ 653,2 mil para alimentação, além de pagamentos a produtoras audiovisuais. As informações constam na decisão de 150 páginas que teve o sigilo levantado por Flávio Dino.
A investigação também analisou emendas que totalizam R$ 1,15 milhão destinadas pelos deputados Marcos Pollon (PL-MS) e Bia Kicis (PL-DF) à Academia Nacional de Cultura (ANC), outra entidade presidida por Karina Gama. Segundo a decisão, porém, as emendas não tiveram execução financeira.
Em vídeo postado nas redes sociais, o deputado Mario Frias se defendeu das acusações.
“A investigação é sobre uma emenda parlamentar de R$ 2 milhões que eu destinei para contemplar um projeto esportivo e outro de letramento digital, para tirar crianças da rua, para ensinar crianças, jovens e adolescentes a se desenvolverem intelectualmente. Emenda pública, registrada, transparente, que qualquer um pode consultar no Portal da Transparência”, afirmou.
O parlamentar se queixou de não ter tido acesso à investigação. “Como é que pode-se defender de alguma acusação sem ler? A gente descobre o que estão dizendo pelo jornal, no mesmo dia em que sua porta é arrombada”, afirmou. Frias confirmou que os agentes apreenderam aparelhos de telefone e computador.
O deputado ainda disse que emenda não é recurso que passa pela mão do parlamentar e criticou a operação. “Ela [emenda] vai do Tesouro para o órgão executor, que aprova um plano de trabalho previamente e fiscaliza a prestação de contas. Se há alguma nota que a CGU quer ver, isso se resolve com documento, não com operação em ano de eleição. Cortina de fumaça”, apontou. Ele não respondeu sobre a transferência de R$ 645 mil da própria conta para a produção do filme.
Na decisão que autorizou a Operação Make Up, o ministro Flávio Dino também proibiu Frias de deixar o país e de se comunicar com outros investigados no inquérito.
A reportagem não conseguiu obter a posição da produtora Karina Gama nem do empresário Heric Dias.
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Em proposta de delação premiada apresentada às autoridades, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro afirmou que as doações feitas em 2022 às campanhas de Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Jair Bolsonaro (PL) tiveram origem em uma negociação de propina para assegurar a continuidade do Credcesta no governo de São Paulo. As informações são do UOL.
Segundo a publicação, Vorcaro relatou na proposta de delação que as contribuições eleitorais teriam sido “contrapartidas financeiras” decorrentes de um “ajuste indevido com Gilberto Kassab para a manutenção do Credcesta no governo Tarcísio”. Kassab apoiou a candidatura de Tarcísio em 2022 e, após a vitória, assumiu a Secretaria de Governo de São Paulo. Atualmente, é candidato a vice-presidente na chapa de Ronaldo Caiado (PSD).
Nas eleições de 2022, Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e um dos investigados na operação Compliance Zero, doou R$ 2 milhões para a campanha de Tarcísio ao governo paulista e outros R$ 3 milhões para a tentativa de reeleição de Bolsonaro à Presidência da República.
O Credcesta é um cartão de crédito consignado destinado a servidores públicos e operado pela PKL One Participações, empresa associada ao Banco Master e ligada a familiares de Augusto Lima, sócio de Vorcaro. A operação do Credcesta começou em julho de 2022, e posteriormente se tornou um dos principais negócios do grupo de Vorcaro.
O relato de Vorcaro foi mantido nas três versões da proposta de delação apresentadas às autoridades, mas foram rejeitadas pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República.
Tarcísio negou as informações. Em nota, afirmou que “nunca teve qualquer contato ou relação com Daniel Vorcaro” e que não tem conhecimento dos fatos mencionados.
Kassab classificou a acusação como “absolutamente fantasiosa”. Ele admitiu conhecer Augusto Lima, mas negou ter conversado com ele sobre doações feitas por Vorcaro.
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A Polícia Federal reuniu uma série de indícios de que empresários e operadores ligados ao Grupo Refit custearam despesas pessoais e ajudaram a manter imóveis utilizados pelo ex-governador Cláudio Castro. Entre os benefícios listados pelos investigadores estão uma compra de caviar de R$ 10,5 mil, uma cobertura na Barra da Tijuca, uma mansão em Petrópolis e um projeto de adega avaliado em R$ 245 mil.
As informações constam da decisão que autorizou a Operação Sem Refino 2, cujo sigilo foi retirado nesta quinta-feira (3) pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo a Polícia Federal, o material apreendido ao longo da investigação reforça a suspeita de que uma estrutura formada por empresários, operadores financeiros e empresas ligadas ao universo econômico da Refit teria sido utilizada para custear despesas e ocultar patrimônio em favor de Castro.
A investigação também sustenta que o ex-governador atuou para atender interesses do grupo empresarial comandado por Ricardo Magro, apontado como controlador da antiga Refinaria de Manguinhos.
Mensagens extraídas de celulares apreendidos mostram que Castro negociou diretamente com um fornecedor diferentes tipos e gramaturas da iguaria. Parte da encomenda, segundo os investigadores, deveria ser entregue em uma suíte do Hotel Emiliano, em São Paulo, onde o então governador estava hospedado.
Embora Castro tenha informado ao vendedor que faria o pagamento por PIX, a análise bancária realizada pela PF apontou que a transferência não saiu de contas pessoais do ex-governador. O pagamento teria sido feito pela AC Santos Participações e Empreendimentos, empresa ligada ao advogado Antonio Carlos da Conceição Santos, conhecido como “Pipo”.
Para os investigadores, o episódio é um dos exemplos de utilização de terceiros para custear despesas pessoais incompatíveis com a renda declarada pelo então governador.
Outro ponto destacado pela investigação envolve uma casa de luxo no condomínio Locanda Residenze, em Petrópolis.
O imóvel está registrado em nome da Concrecasa Construções Inteligentes Ltda., mas a Polícia Federal afirma ter encontrado elementos que indicam que Castro exercia a posse de fato da propriedade.
Segundo a decisão, o ex-governador recebia em seu celular faturas de energia do imóvel, acompanhava questões relacionadas à segurança da residência e coordenava reformas realizadas no local.
Entre os documentos apreendidos está um projeto de adega climatizada avaliado em R$ 245 mil. De acordo com a PF, o arquivo continha nos metadados a identificação “AP Adega Claudio Castro”.
A corporação também destaca que a administradora da Concrecasa possui vínculos societários com o empresário Luiz Fernando Gomes. A empresa dele, a Enge Prat Engenharia e Serviços, celebrou contratos que somam R$ 355,2 milhões com o governo do estado durante a gestão Castro, sendo R$ 49,6 milhões sem licitação.
A Polícia Federal também investigou a cobertura ocupada por Castro no condomínio Atmosfera, na Barra da Tijuca.
Segundo os investigadores, o imóvel era alugado por R$ 10 mil mensais, valor considerado abaixo do mercado para unidades semelhantes na região, cuja faixa estimada seria de R$ 25 mil a R$ 29 mil.
A investigação aponta ainda que a empresa proprietária da cobertura foi criada pouco antes da aquisição do imóvel, que seria seu único ativo registrado.
Mensagens obtidas pela PF também indicariam que Castro e sua esposa participaram de decisões sobre obras e intervenções no apartamento antes da mudança para o local, contrariando a versão apresentada pela defesa de que o ex-governador não teria atuado nas reformas.
A Operação Sem Refino apura suspeitas de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e evasão de divisas relacionadas à Refit e ao empresário Ricardo Magro.
A primeira fase da investigação foi deflagrada em maio. Na ocasião, Alexandre de Moraes autorizou buscas contra Castro e determinou a prisão preventiva de Magro, que permanece foragido e integra a lista de difusão vermelha da Interpol.
Na nova fase, a Polícia Federal afirma ter encontrado indícios de que operadores como Antonio Carlos da Conceição Santos, Luiz Fernando Gomes e José Mauro de Farias Junior atuavam por meio de empresas e estruturas societárias destinadas a ocultar a origem dos recursos e a garantir vantagens a agentes públicos.
Segundo os investigadores, as novas provas reforçam a suspeita de que o esquema permaneceu ativo mesmo após o início das apurações.
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A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira (3), uma nova ação para investigar um suposto esquema de corrupção eleitoral nas eleições municipais de 2024 em Nilópolis, na Baixada Fluminense. Um dos alvos é o deputado federal Ricardo Abrão (PSDB-RJ).
Agentes cumprem um mandado de busca e apreensão na residência do parlamentar, em um condomínio na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio. A medida também prevê a apreensão e análise de equipamentos eletrônicos e o afastamento do sigilo dos dados armazenados nesses dispositivos. O mandado foi expedido pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal.
A investigação apura suspeitas de compra de votos durante a eleição municipal de 2024. A ação desta quinta-feira é um novo desdobramento de uma apuração iniciada ainda em outubro daquele ano.
Na ocasião, 24 pessoas foram presas em flagrante em Nilópolis. Segundo as investigações da época, parte dos detidos estava com dinheiro em espécie que seria destinado à compra de votos. As diligências também levaram à apreensão de valores, lista com nomes de eleitores e outros materiais considerados relevantes para a investigação.
O aprofundamento das apurações resultou, em fevereiro de 2025, na deflagração da Operação Astreia. Naquele momento, a Polícia Federal investigou um suposto esquema mais amplo de corrupção eleitoral, que, segundo a corporação, envolvia candidaturas laranjas e uma rede de apoio formada por pessoas ligadas ao poder público e à política local. A operação também apurava suspeitas de fraude à cota de gênero, apropriação de recursos eleitorais e lavagem de dinheiro.
Agora, a nova fase da investigação chega ao deputado federal Ricardo Abrão. Até o momento, não foram divulgadas informações sobre prisões nesta ação, e a Polícia Federal deve analisar o material apreendido para aprofundar as investigações.
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O presidente do Instituto Vladimir Herzog, Rogério Sottili, alertou, em carta enviada ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, para o risco de interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras de 2026. O documento foi enviado dia 19 de agosto.

Segundo Sottili, há sinais de que o resultado das eleições para a Presidência da República poderá não ser reconhecido pelo governo do presidente Donald Trump. A avaliação, segundo ele, foi feita após viagem aos Estados Unidos, onde conversou com lideranças políticas e representantes de entidades da sociedade civil.
“Já existe ingerência externa por parte dos Estados Unidos e há um indício muito forte de que, sim, a tendência seguirá nesta crescente com relação às eleições brasileiras para a presidência e o possível não reconhecimento do resultado ao pleito”, afirma Sottili na carta.
O documento também manifesta preocupação com a atuação da Organização dos Estados Americanos (OEA), que acompanha processos eleitorais nos países-membros. O instituto pede atenção preventiva das instituições brasileiras para garantir que a organização possa exercer suas funções com autonomia, rigor técnico e postura republicana diante das pressões políticas internacionais.
O Instituto Vladimir Herzog pede que o STF se posicione diante das ameaças. Segundo a entidade, um eventual questionamento internacional do resultado eleitoral poderia afetar a legitimidade da Corte e ser utilizado internamente para contestar decisões judiciais.
“Um eventual questionamento internacional do resultado eleitoral pode deixar de ser apenas um problema diplomático quando passa a ser utilizado internamente para deslegitimar decisões judiciais, estimular o descumprimento da Constituição, atacar a independência do Poder Judiciário ou sustentar iniciativas voltadas à ruptura da ordem democrática”, afirma a carta.
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Novo secretário
Médico formado pela UFF, Antonio Claudio Lucas da Nóbrega possui mestrado em Ciências Biológicas (Biofísica) e doutorado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ele também é pesquisador de Produtividade 1A do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
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Um movimento de Eduardo Bolsonaro nas redes sociais voltou a expor divergências dentro da família do ex-presidente Jair Bolsonaro em meio à tentativa de Flávio Bolsonaro (PL) de fortalecer sua campanha presidencial e reconstruir a aproximação política com Michelle Bolsonaro. Neste domingo, o ex-deputado comentou e posteriormente compartilhou um vídeo do influenciador Allan dos Santos no qual a candidatura da ex-primeira-dama ao Senado pelo Distrito Federal é colocada em dúvida.
Ao publicar o conteúdo, Eduardo resumiu sua avaliação em uma frase: “Triste, mas verdadeiro…”. No vídeo, Allan afirma preferir a eleição da deputada federal Bia Kicis (PL-DF) e do ex-desembargador Sebastião Coelho (Novo) à de Michelle. O influenciador também questiona qual será a orientação política da ex-primeira-dama caso ela conquiste uma das duas cadeiras destinadas ao Distrito Federal no Senado.
“Eu prefiro mil vezes Bia Kicis e Sebastião Coelho do que a Michelle com oito anos de incógnita. É uma incógnita, porque nós não sabemos o que ela poderá trazer para a direita. O que não é incógnita: pauta feminista, pauta de esquerda, saindo da boca de alguém que se diz de direita”, afirmou Allan.
Michelle, que aparece bem posicionada nas pesquisas para o Senado, disputa espaço justamente com nomes ligados ao mesmo campo da direita.
O episódio ocorre em um momento delicado para Flávio. Nas últimas semanas, o senador e Michelle protagonizaram movimentos de reaproximação após divergências que chegaram a colocar em dúvida o grau de participação da ex-primeira-dama na campanha presidencial. A tentativa agora é ampliar sua presença ao lado do candidato e explorar sua força especialmente entre o eleitorado feminino e os evangélicos.
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva telefonou, na manhã desta sexta-feira (21), para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para defender a retomada das negociações comerciais bilaterais e discutir a contenção de conflitos internacionais.

Durante a conversa de 1 hora e 20 minutos, classificada pelo Planalto como cordial, Lula afirmou que as alegações americanas que motivaram a recente imposição de novas tarifas contra o Brasil são infundadas O governo norte-americano fundamentou as medidas alegando desmatamento, acordos preferenciais, propriedade intelectual, combate à corrupção, Pix, etanol e importações de produtos com trabalho forçado.
Lula afirmou que as tarifas afetam negativamente o Brasil e os Estados Unidos e enfatizou que o diálogo é o melhor caminho para ambos os países. Trump concordou com a necessidade de preservar os vínculos comerciais fortes e propôs o reencontro breve de suas equipes diplomáticas.
Na pauta de segurança, Lula reiterou o interesse brasileiro na cooperação com os Estados Unidos no combate ao crime organizado. O presidente argumentou que grupos criminosos exercem terror cotidiano sobre as populações mais carentes, mas não se confundem com organizações terroristas.
Ele afirmou ainda que o Brasil tem instrumentos para enfrentar essas organizações. Entre as estratégias está a asfixia financeira que já resultou na apreensão de cerca de R$ 17 bilhões. Lula apresentou ainda os avanços brasileiros no combate ao crime organizado — destacando a Lei Antifacção e a criação do Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, em Manaus. Trump se dispôs a reforçar a cooperação bilateral e afirmou que indicará funcionários de alto escalão para dar andamento às tratativas.
Os dois presidentes também conversaram sobre os principais conflitos globais, em especial as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio. Ambos concordaram sobre a urgência de encontrar uma solução negociada para o conflito entre Rússia e Ucrânia, que já se estende por quase cinco anos. Já o presidente Trump teceu considerações sobre as perspectivas estadunidenses de resolução do conflito com o Irã.
O presidente brasileiro lamentou a inoperância do Conselho de Segurança da ONU diante dos conflitos e sugeriu a convocação de uma reunião extraordinária do órgão para buscar saídas diplomáticas. “Os grandes líderes não são aqueles que iniciam guerras, mas aqueles que põem fim aos conflitos”, declarou Lula.
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A expectativa sobre quem comandará o Governo do Rio de Janeiro até a posse do próximo governador pode ganhar mais um capítulo de indefinição nesta semana. Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) já trabalham com a possibilidade de um novo pedido de vista no julgamento que discute o formato da eleição para o mandato-tampão no estado.
O processo está previsto para voltar ao plenário nesta quarta-feira (19), após ser devolvido pelo ministro Flávio Dino. Caso a análise seja retomada, Alexandre de Moraes ou Gilmar Mendes podem pedir mais tempo para examinar o caso.
Um novo pedido de vista pode suspender o julgamento por até 90 dias e empurrar a decisão para depois das eleições de outubro, quando os eleitores fluminenses escolherão diretamente o governador para o próximo mandato.
Além disso, a pauta do plenário do STF está cheia, com 13 processos previstos para a sessão, o que também pode impedir que o caso seja analisado nesta quarta.
O julgamento discute se o governador que ocupará o mandato-tampão deve ser escolhido indiretamente pela Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) ou por eleição direta.
O STF está dividido. Cármen Lúcia, Luiz Fux, André Mendonça e Kassio Nunes Marques votaram pela eleição indireta. Cristiano Zanin se posicionou pela eleição direta, acompanhado de Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Flávio Dino. Edson Fachin e Dias Toffoli ainda não haviam apresentado publicamente seus votos.
O processo foi interrompido em abril, quando Flávio Dino pediu vista. O ministro devolveu os autos em julho, pouco antes do recesso do Judiciário.
A ação foi apresentada pelo PSD, partido do candidato ao Governo do Rio Eduardo Paes. O processo ganhou força após a saída de Cláudio Castro (PL), que renunciou ao cargo antes de ser condenado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por abuso de poder político e econômico.
Com a vacância também do cargo de vice-governador, surgiu a disputa sobre quem deveria assumir o governo e como deveria ser realizada a escolha para o mandato-tampão. O TSE havia entendido que a eleição deveria ser indireta, pela Alerj.
Enquanto o STF não conclui o julgamento, Ricardo Couto permanece interinamente no comando do Palácio Guanabara.
A proximidade das eleições regulares tornou mais difícil a realização de uma eventual eleição suplementar. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro, e as candidaturas ao Governo do Rio já foram definidas.
Se o julgamento for novamente suspenso, Ricardo Couto poderá permanecer no cargo até a eleição regular, quando os eleitores escolherão diretamente o governador para o mandato seguinte.
A possibilidade de eleição indireta havia colocado o presidente da Alerj, Douglas Ruas (PL), entre os principais nomes para o mandato-tampão. Com a proximidade da disputa regular, porém, a eventual eleição suplementar perdeu espaço nas estratégias das campanhas ao Governo do Rio.
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