A cidade de Niterói e o estado do Rio de Janeiro perderam nesta terça-feira uma de suas mais importantes lideranças políticas e sociais. Tânia Rodrigues, ex-vereadora pelo Partido dos Trabalhadores em Niterói e ex-deputada estadual, faleceu deixando um legado de quatro décadas dedicadas à luta pelos direitos das pessoas com deficiência e à construção de políticas públicas inclusivas.
Nascida em uma era em que as questões relacionadas à deficiência eram amplamente negligenciadas pelo poder público, Tânia Rodrigues transformou sua própria experiência de vida em bandeira política. Em 1981, aos 31 anos, ela esteve entre as fundadoras da Associação Niteroense de Deficientes Físicos (ANDEF), organização que se tornou referência na região metropolitana do Rio de Janeiro na resguardo dos direitos das pessoas com deficiência.
Pioneirismo na organização dos direitos das pessoas com deficiência
A geração da ANDEF representou um marco histórico para o movimento das pessoas com deficiência no estado do Rio de Janeiro. Na dezena de 1980, quando as políticas de inclusão eram praticamente inexistentes no Brasil, Tânia Rodrigues e outros ativistas construíram uma organização que deu visibilidade a uma taxa até logo invisibilizada pela sociedade e pelo poder público.
A entidade, sob a liderança de Tânia, desenvolveu programas pioneiros de capacitação profissional, acessibilidade urbana e conscientização social. Segundo dados da própria ANDEF, a organização atendeu ao longo de suas quatro décadas de existência mais de 15 milénio pessoas com deficiência na região metropolitana, oferecendo serviços de reparação, orientação jurídica e inserção no mercado de trabalho.
O trabalho desenvolvido pela ANDEF serviu de padrão para outras organizações similares em todo o estado. A metodologia de atendimento integral desenvolvida pela entidade, que combinava assistência social, advocacy político e empoderamento pessoal, foi replicada em dezenas de municípios fluminenses.
