Sexta-feira, Fevereiro 20, 2026
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Técnico explica interesses por trás da ofensiva norte-americana

by REDAÇÃO
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O ataque deste sábado é a primeira mediação direta dos Estados Unidos na América Latina desde 1989, quando aconteceu a invasão do Panamá e a deposição do general Manuel Noriega, denunciado de envolvimento com o narcotráfico. Esse é um dos pontos defendidos pelo presidente estadunidense, Donald Trump, no ataque à Venezuela: de que Nicolás Maduro teria um papel mediano no tráfico de drogas no continente, uma alegado não comprovada.

O evento configura violação da soberania pátrio do território venezuelano, segundo explica o professor do Instituto de Relações Internacionais e Resguardo da Universidade Federalista do Rio de Janeiro (UFRJ) Bernardo Salso Rodrigues, que destaca a magnitude histórica do ataque para toda a América do Sul e os interesses por trás da ofensiva realizada pelos Estados Unidos.

“A perspectiva de interesses geopolíticos e energéticos dos Estados Unidos na região, principalmente em questão do controle das reservas de petróleo da Venezuela, que são as maiores reservas de petróleo do sistema internacional. Para outrossim, também temos alguns minerais estratégicos, tanto na Venezuela quanto na região da Amazônia sul-americana, que são de interesse inesperado dos Estados Unidos para os próximos ciclos científico-tecnológicos”, destaca.

Na perspectiva jurídica do recta internacional, o ataque a um país é proibido, com somente duas exceções: quando há autorização do Juízo de Segurança das Nações Unidas ou em caso de legítima resguardo. A ofensiva dos Estados Unidos na Venezuela é ilícito e pode ser entendida uma vez que transgressão de agressão segundo o Regime de Roma, conforme explica o professor da UFRJ, que ressalta ainda que o país sul-americano já vinha sendo branco de guerra econômica, com sanções, e que o ataque à Venezuela pode terebrar precedente para uma futura mediação no Brasil.

“Se a gente for levar em consideração que, em dezembro de 2025, o governo Trump realizou uma enunciação de que qualquer país envolvido no envio de drogas para os Estados Unidos poderia se tornar branco de ataques militares, o Brasil também passa a fazer segmento desse radar geopolítico norte-americano. Logo, isso também tem que ser levado em consideração para os estrategistas geopolíticos brasileiros, de que a gente tem que se preparar, sim, para esse ímpeto geopolítico cada vez mais incisivo dos Estados Unidos, que estão visualizando a perda do protagonismo no sistema internacional e, nessa tentativa de retomar o imperialismo norte-americano, acaba fazendo com que a América do Sul entre novamente dentro do radar da sua esfera imediata, assim uma vez que foi desde a Teoria Monroe, no século XIX.”

De harmonia com o professor da UFRJ, a situação deve intensificar a crise migratória da Venezuela em fronteiras com a Colômbia e o Brasil.

Gustavo Petro
Na manhã deste sábado (3), o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, classificou o incidente uma vez que “gravíssima agressão militar” e afirmou que o governo colombiano rejeita qualquer ação militar unilateral que possa exacerbar a situação ou colocar em risco a população social.

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