No doloroso impasse de ver alguém ser excluído da totalidade dos bens espirituais comuns aos fiéis, nada nos resta dizer, senão, que estamos com Pedro. Afinal, Pedro esteve com Jesus e, antes de tudo, Jesus esteve com Pedro.
Se as últimas notícias nos encheram de tristeza, também nos deram a confiança na continuidade de Pedro: essa continuidade traz a marca da identidade e da segurança.
Identidade e segurança são achados preciosos no incerto momento atual. Nunca nossa espécie esteve tão insegura de encontrar segurança. Nunca a marca da identidade faltou tanto a uma geração consumidora de novidades.
O que mais pesa no momento é a ruptura de alguns, apenas em prol de si mesmos, como se tivessem encontrado a chave que abre todas as portas.
Quando nenhum apelo parece suficiente para não rasgarem a túnica inconsútil de Cristo, é a hora da verdade abrir caminho.
Por isso, ficamos com Pedro onde encontramos a identidade e a segurança da verdade sob a guarda do Espírito.
Nesse momento, o Evangelho é a nossa luz.
Vem dele a imagem, três vezes repetida, de Jesus andando sobre o lago de Cafarnaum, à noite, com o vento contrário e sob forte neblina, na direção dos discípulos. Todos estão amedrontados e Pedro assim como os outros.
Foi quando eles se assustaram com um fantasma, antes de distinguir quem vinha caminhando sobre as águas.
Então, Pedro sai ao encontro de Jesus munido só das suas certezas. Mas aí, ele afunda e grita. Jesus estende os braços e o agarra. Ao subirem à barca, o vento cessou.
A Igreja é feita de homens dispostos a irem ao encontro de Jesus. Homens parecidos com Pedro. O caminho, todos sabemos. Agora, só nos resta seguir.
Estamos com Pedro na barca de Jesus. Estamos com ele aonde ele nos levar. Porque Pedro sempre esteve com Jesus. E Jesus nunca o abandonou.
Dom José Francisco Rezende Dias
Arcebispo Metropolitano de Niterói