Sábado, Fevereiro 21, 2026
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Niterói investe em formação e sustentabilidade no Carnaval

by REDAÇÃO
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No galpão da Prefeitura, no Barreto, o som do ferro, a cola quente e a originalidade ecoam entre alegorias e carros em construção. É lá que 23 das 25 escolas que desfilarão no Caminho Niemeyer, nos dias 6, 7 e 8 de fevereiro, transformam sonhos em veras. Mais do que preparar o espetáculo deste ano, elas começam a colocar em prática um projeto de porvir: a geração da Escola do Ventre. A proposta, apoiada pela Prefeitura de Niterói, por meio da Neltur, da Secretaria das Culturas e da Secretaria de Governo, quer profissionalizar ainda mais o Carnaval da cidade e torná-lo um polo gerador de renda e oportunidades ao longo do ano. O projeto será coordenado pela União das Escolas de Samba de Niterói.

“O Carnaval de Niterói deixa um legado que vai muito além dos desfiles. Ele movimenta a economia sítio, fortalece a cultura popular, forma profissionais e cria oportunidades ao longo de todo o ano. Esse é o olhar da Prefeitura: transformar tradição em desenvolvimento, cultura em trabalho e originalidade em renda”, destaca o prefeito de Niterói, Rodrigo Neves.

Ao final do Carnaval de 2026, quando as plumas e paetês voltarem para o barracão, o grupo começará a fazer o que já é uma tradição: escolher o que pode ser reaproveitado e desmontar os carros. Mas, desta vez, com um foco dissemelhante. No mês de março, o espaço começará a ser pronto para que as oficinas da Escola do Ventre possam receber, em média, 60 aprendizes.

Eles serão escolhidos pelas agremiações e entre as comunidades para aprender um pouco de tudo. Do artesanato à costura e à soldagem, poderão até se tornar carnavalescos no porvir. A teoria é que aprendam para serem empregados pelas próprias escolas, ganhando com o Carnaval ao longo do ano e, assim, sucessivamente, produzindo novos adereços.

“Estamos apoiando o projeto Ventre do Samba porque acreditamos e enxergamos o Carnaval uma vez que uma política sólida de cultura e de geração de trabalho e renda. A cada ano estamos oferecendo cada vez mais base e estrutura para que as escolas possam apresentar na avenida um carnaval organizado e de qualidade. Queremos nosso Carnaval com muito profissionalismo, fazendo as comunidades se envolverem, o Carnaval crescer e a cidade luzir”, afirmou o secretário de Governo e presidente da Percentagem de Carnaval, Paulo Bagueira.

A união entre as escolas é um diferencial. Um grupo ajuda o outro, e a competição fica para a Avenida. Materiais são compartilhados, técnicas são ensinadas e histórias são trocadas entre costureiras, aderecistas, ferreiros e jovens aprendizes.

“Essa é a semente que estamos plantando. Não é só Carnaval de um dia, mas um movimento que transforma vidas o ano inteiro. Esse espaço é um símbolo de união. Cá as escolas se ajudam, trocam profissionais, compartilham tintas, tecidos e ideias. É uma grande oficina da cultura popular”, destaca Marcelo de Serpa, presidente da União das Escolas de Samba de Niterói (Unes).

Quando fala do projeto Escola do Ventre, Rosane Gracietti, diretora financeira e administrativa da União das Escolas de Samba, explica que a proposta é furar as oficinas para integrantes das agremiações e moradores das comunidades do entorno.

“Cada uma das 25 escolas vai indicar duas ou três pessoas, da própria escola ou da comunidade onde está inserida. A teoria é profissionalizar essa mão de obra para que essas pessoas já saiam empregadas e trabalhando com paixão ao longo do ano. É a prata da moradia sendo valorizada. Quando você forma o seu próprio profissional, o moeda circula dentro da escola, a família cresce junto e o Carnaval vira reconhecimento, renda e pertencimento. Carnaval é família. A gente só é concorrente quando entra na Avenida”, disse Rosane Gracietti.

Para o presidente da Neltur, André Bento, o Carnaval de Niterói é muito mais do que sarau: é uma poderosa engrenagem de geração de trabalho e renda que movimenta as comunidades ao longo de todo o ano.

” Antes mesmo do primeiro conjunto ir para a rua, centenas de trabalhadores já estão em atividade. São aderecistas, ferreiros, costureiras, escultores, marceneiros, pintores e profissionais da economia criativa que têm no Carnaval uma nascente contínua de trabalho e sustento”, ressaltou André Bento.

Em 2025, murado de 250 milénio foliões participaram do Carnaval da cidade. Unicamente os desfiles das escolas de samba, no Caminho Niemeyer, reuniram mais de 60 milénio pessoas ao longo de dois dias. Esse impacto se reflete na atividade turística: a rede hoteleira de Niterói registrou 100% de ocupação durante o período, beneficiando diretamente hotéis, bares, restaurantes, ambulantes e prestadores de serviços.

André Bento lembra que o alcance do Carnaval vai além das ruas. As transmissões ao vivo realizadas pelos canais oficiais da Prefeitura, incluindo o YouTube, somaram mais de 100 milénio visualizações, ampliando a visibilidade das escolas, dos artistas e da cidade. Espectadores de diversos países assistiram e comentaram nas transmissões.

Esse investimento na economia sítio, a valorização cultural e a inclusão produtiva fazem secção de uma política pública que fortalece territórios, gera oportunidades e reafirma o Carnaval uma vez que um ativo estratégico de desenvolvimento econômico, social e turístico para Niterói durante todo o ano.
Antes mesmo do início das oficinas, a Escola do Ventre já oferece oportunidades de trabalho para diversas pessoas das comunidades. Ela já recebe voluntários que sonham em invadir um trabalho certificado e se tornar um profissional do Carnaval.

Edílio Júnior já é veterano do Carnaval e construiu uma trajetória marcada pela dedicação e experiência no universo carnavalesco.

“Trabalho com Carnaval há murado de 12 ou 13 anos. Iniciei meu projeto na Mangueira, no Rio de Janeiro. Ao longo da minha trajetória, já trabalhei com nomes importantes uma vez que Max Lopes, Renato Lage e Rosa Magalhães. Tenho, portanto, uma experiência consolidada na espaço. Meu trabalho cá é sazonal. Costumo iniciar por volta do mês de novembro e sigo até o período do Carnaval. A rotina é intensa e bastante corrida, mas muito satisfatória. Paladar muito do que faço. O espaço já oferecia oportunidades, mas vem crescendo e se desenvolvendo cada vez mais. O Carnaval hoje está sendo visto com um novo olhar, mais sério e valorizado”, destacou.

Além do valor cultural e social, o Carnaval se consolida uma vez que uma importante porta de ingresso para a novidade geração, que procura oportunidades para aprender, se profissionalizar e luzir nos bastidores.
Alédio da Silva de Oliveira, morador do bairro do Fonseca, em Niterói, tem 18 anos e representa a novidade geração que encontra no Carnaval uma oportunidade de tirocínio e desenvolvimento profissional. Há murado de dois anos, ele atua no barracão, onde vem construindo sua trajetória e adquirindo experiência.

“Trabalhar com Carnaval é intenso, principalmente quando chega o mês de janeiro e a rotina fica mais apertada. Mesmo assim, é uma experiência muito boa e prazerosa, principalmente para quem gosta do que faz. Além do Carnaval, eu estudo. Durante esse período, o trabalho gera muito tirocínio. Cá dentro a gente aprende diversas coisas, convive com muitas pessoas e recebe ensinamentos de quem já tem mais experiência, o que faz toda a diferença. Pretendo me inscrever para as oficinas no próximo ano. Para o porvir, quero continuar no Carnaval uma vez que profissional”, completa Alédio.
Ordem dos desfiles no Caminho Niemeyer

Série Ouro (Sexta-feira – 06/02/2026)

20:00: Cacique da São José
20:40: Unidos da Região Oceânica
21:30: Unidos do Sacramento
22:10: Filarmónica Batistão
22:50: Paraíso do Bonfim
23:30: Garra de Ouro
00:10: Combinado do Paixão
00:50: Tá Rindo Por Quê?

Grupo Privativo (Sábado – 07/02/2026)

20:00: Sabiá
20:45: Poderio de Araribóia
21:30: Poderio de Charitas
22:15: Alegria da Zona Setentrião
23:05: Souza Soares
23:50: Folia da Viradouro
00:35: Magnólia Brasil
01:20: Experimenta da Ilhota da Conceição

Série Prata e Avaliação (Domingo – 08/02/2026)

Série Prata:

18:00: Data Venia Doutor
18:35: Galo de Ouro
19:10: Muito Querido
19:45: Mocidade Independente de Icaraí
20:20: Acadêmicos da Ponta da Areia
20:55: Balanço do Fonseca

Grupo de Avaliação:
21:30: América Samba e Paixão
22:00: Bugres do Cubango
22:30: Acadêmicos do Largo da Guerra

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