COMTUDO Câmara impede cobertura da imprensa, policiais empurram jornalistas REDAÇÃODezembro 10, 2025013 views Share on Facebook Share Share Share on Twitter Share Share Share on Pinterest Share Share Share on Linkedin Share Share Share on Digg Share Share 0 A expulsão do deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) do plenário da Câmara pela polícia legislativa, nesta terça-feira (9), foi marcada por cerceamento e agressões à imprensa. O episódio foi criticado por entidades como Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas), Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) e ANJ (Associação Nacional de Jornais).Glauber ocupou a cadeira do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e se recusou a sair após o processo que pede a cassação de seu mandato por chutar um militante de direita que o perseguia na Casa ser pautado para quarta-feira (10). A definição das matérias a serem votadas cabe ao colégio de líderes, comandado por Motta. Após Glauber anunciar seu protesto, a sessão legislativa foi suspensa e deixou de ser transmitida pela internet. A polícia legislativa foi acionada para intervir, e o parlamentar foi retirado à força da cadeira.Obrigada a deixar o plenário pela polícia, a imprensa não conseguiu registrar imagens. Apenas parlamentares tiveram acesso à cena e divulgaram vídeos da polícia retirando Glauber.A confusão da expulsão continuou pelo salão verde, com jornalistas, policiais e deputados em um tumulto com empurra-empurra e agressões.Segundo deputados de esquerda, além de Glauber, foram agredidos os deputados Sâmia Bomfim (PSOL-SP), Dorinaldo Malafaia (PDT-AP), Rogério Correia (PT-MG) e Célia Xakriabá (PSOL-MG). Os parlamentares fizeram exame de corpo de delito e registraram boletim de ocorrência.Questionada sobre quem determinou que a imprensa fosse barrada e a sessão não fosse transmitida, a assessoria de Motta não respondeu. O presidente da Câmara também não respondeu se houve ordem para agressões de policiais a deputados e jornalistas.Ao se manifestar sobre o episódio nas redes e no plenário, a menção de Motta às agressões foi sucinta. “Determinei também a apuração de possíveis excessos em relação à cobertura da imprensa”, publicou.A Fenaj e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF) divulgaram nota repudiando a violência e o desligamento do sinal de TV. O texto também cobra responsabilização de Motta.“A Fenaj e o SJPDF consideram extremamente grave o cerceamento ao trabalho da imprensa e à liberdade e ao direito de informação da população brasileira. Mais grave ainda são os episódios de agressões físicas a profissionais da imprensa, que levam informação sobre o funcionamento da Casa Legislativa à sociedade brasileira”, diz.A Abraji manifestou solidariedade e mencionou agressões aos jornalistas Guilherme Balza, da Globo, e Carolina Nogueira, do UOL.“A Abraji considera inaceitáveis a censura imposta à imprensa pela Câmara dos Deputados e a violência contra jornalistas e parlamentares. Uma sociedade democrática não pode apresentar espetáculos grotescos de autoritarismo como o presenciado no início da noite desta terça-feira, 9 de dezembro, na Casa do Povo”, diz.Além da ANJ, a Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão) e a Aner (Associação Nacional de Editores de Revistas) também assinam um texto afirmando que o corte do sinal de TV é incompatível “com o exercício da liberdade de imprensa”.“A ANJ, Abert e Aner esperam a apuração de responsabilidades para que tais práticas de intimidação não se repitam e que sejam preservados os princípios da Constituição Brasileira, que veda explicitamente a censura”, diz.