DESTAQUE NITERÓI Bancas de jornal da praça Arariboia em Niterói têm até quinta-feira para desocupar espaços REDAÇÃOJaneiro 8, 2025023 views Share on Facebook Share Share Share on Twitter Share Share Share on Pinterest Share Share Share on Linkedin Share Share Share on Digg Share Share 0 O futuro de oito bancas de jornal (que vendem de tudo) localizadas na Praça Araribóia e uma próxima à Concha Acústica, em Niterói, é incerto. Após a publicação da Portaria SMU nº 001/2025, a prefeitura determinou que os permissionários desocupem o local até a próxima quinta-feira (9). Segundo a administração municipal, a medida foi tomada visando a desobstrução da paisagem da frente marítima da Praça Arariboia e dos espaços públicos adjacentes, em consonância com o projeto paisagístico previsto para a área. A medida, no entanto, gerou indignação entre os jornaleiros, que consideram a ação arbitrária e desrespeitosa à tradição cultural e histórica da cidade. De acordo com Antônio Carlos Panaro Giglio, presidente da Associação dos Proprietários de Bancas de Jornais de Niterói (Aproban), a categoria foi pega de surpresa. —Sempre tivemos uma boa relação com a prefeitura. Nunca houve algo assim. Tentamos dialogar com o novo secretário de Urbanismo, mas não conseguimos — afirma. A Aproban protocolou, na segunda-feira (6), uma defesa administrativa alegando a ilegalidade da portaria, que, segundo a entidade, viola a Lei Municipal nº 3965/2024. Essa lei reconhece as bancas de jornal e os jornaleiros como patrimônio cultural de natureza imaterial do município. Além disso, a decisão não foi submetida ao Conselho Municipal de Política Cultural (CMPC), o que, para a associação, configura outra irregularidade. Leia mais – Recadastramento do transporte universitário de Rio Bonito começa dia 27/01. Siga nossas redes sociais. Os permissionários destacam ainda que o prazo de dois dias corridos para retirada das bancas é insuficiente e desproporcional. — Normalmente, a Prefeitura dá pelo menos 15 dias úteis para mudanças .pequenas de locais. O prazo curto mostra falta de diálogo e sensibilidade com as famílias que dependem dessas bancas aponta — Panaro. — Estamos com receio de sermos multados, e a retirada de uma banca não é assim tão fácil. Isso nos causou ainda mais surpresa porque as bancas constam no projeto original da prefeitura e sempre mantivemos diálogo com a gestão. Inclusive, estávamos padronizando as bancas, como foi pedido pela própria prefeitura. Já tínhamos padronizado duas a um custo de R$ 250 mil — ressata. Além do impacto econômico sobre os jornaleiros, o presidente da associação alerta para as consequências culturais e sociais da medida. — Essas bancas não são apenas pontos de venda. Elas divulgam cultura, auxiliam a população com informações e fazem parte da identidade da cidade — ressalta. O presidente da associação destaca ainda que segue negociando alternativas, enquanto prepara uma defesa jurídica para tentar reverter a decisão. — Esperamos que a prefeitura reconsidere. Estamos dispostos a dialogar e encontrar soluções que não prejudiquem tantas famílias — afirma Panaro. Em nota, a Secretaria municipal de Urbanismo informou que as bancas de jornal serão realocadas no Centro e que, junto com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Revitalização do Centro, vão se reunir com representantes da Associação para definir o planejamento. “A decisão de revogar as autorizações de localização das bancas de jornal na calçada da Praça Arariboia foi tomada exclusivamente com base no interesse público coletivo, considerando a necessidade de melhorar a mobilidade e acessibilidade na região, promovendo um espaço público mais organizado e acessível para todos após investimentos realizados na localidade”, disse, em nota. A secretaria disse ainda que a medida faz parte da revitalização do Centro, e que “o projeto da nova Arariboia tem o objetivo de preservar as paisagens cênicas da cidade, valorizando a região”. A Aproban protocolou, na segunda-feira (6), uma defesa administrativa alegando a ilegalidade da portaria, que, segundo a entidade, viola a Lei Municipal nº 3965/2024. Essa lei reconhece as bancas de jornal e os jornaleiros como patrimônio cultural de natureza imaterial do município. Além disso, a decisão não foi submetida ao Conselho Municipal de Política Cultural (CMPC), o que, para a associação, configura outra irregularidade — o que é contestado pela Secretaria de Urbanismo: “a decisão respeita a Legislação Municipal, e a proteção do patrimônio imaterial não impede a realocação das bancas, não sendo caso de consulta ao Conselho”, disse o órgão.