INTERNACIONAL Argentina: demissões no governo Milei podem deixar 65 mil funcionários públicos desempregados REDAÇÃOOutubro 6, 2024022 views Share on Facebook Share Share Share on Twitter Share Share Share on Pinterest Share Share Share on Linkedin Share Share Share on Digg Share Share 0 A Associação de Trabalhadores do Estado (ATE) da Argentina disse nesta segunda-feira (30) que realizará protestos contra a provável demissão de cerca de 65 mil funcionários públicos. O anúncio ocorre no mesmo dia em que o governo de Javier Milei anunciou o desligamento de quase 1,5 mil servidores. “Estas novas demissões ocorrem justamente quando o governo está perdendo apoio popular. Temos que multiplicar os protestos em todo o país para continuar a aumentar o descontentamento social”, afirmou Rodolfo Aguiar, secretário-geral da ATE. O sindicato informou que os protestos vão ocorrer em frente a órgãos públicos e assembleias para discutir a resistência ao corte massivo na administração pública. O informe de demissão dos servidores foi dado através de breve mensagem enviada nos e-mails pessoais de cada um, que dizia que seus contratos não seriam renovados, e pedia que, portanto, eles deixassem de comparecer ao local de trabalho a partir do dia 1º de outubro. Mas a ATE calcula que no total, há mais 65 mil pessoas cujos contratos correm o risco de encerramento por terem vencimento no dia 30 de setembro. A maior parte das demissões ocorreu no Ministério do Capital Humano, onde, até o momento, foram enviadas 1,4 mil notificações. Além disso, na secretaria de Direitos Humanos, 80 funcionários públicos também foram notificados da decisão. A subsecretaria de Trabalho e Desenvolvimento Social, responsável pela fiscalização de trabalhos informais, supervisão de programas de emprego e pelo fomento da formalização trabalhista, também informou que perderá funcionários. Milei pretende chegar a 70 mil demissões Milei já havia anunciado demissões estatais em março e junho e, com esta terceira onda de demissões, somam quase 31 mil desempregados, de acordo com informe do Centro de Economia e Política Argentina (Cepa). No início do ano, o presidente argentino informou que o objetivo era chegar a 70 mil demissões. Na última sexta-feira (27) o porta-voz do presidente, Manuel Adorni, informou que Javier Milei assinará um decreto para facilitar a privatização das Aerolíneas Argentinas. Ainda assim, após o boletim oficial do Executivo, o decreto ainda deve passar pela aprovação do Congresso. O governo argumenta que, segundo uma auditoria geral da nação, a companhia aérea teve um déficit de 1,7 bilhão de pesos (US$ 179 milhões ou R$ 990 milhões) no ano passado. No entanto, a Associação de Pilotos de Linhas Aéreas (APLA) apontou que a Aerolíneas Argentinas economizou 450 milhões de pesos do orçamento do Estado, que poderiam ter sido redirecionados para o povo argentino. O governo de extrema direita e a APLA já estavam em conflito sobre pedidos de igualdade salarial, no qual os pilotos exigiam uma recomposição de 70%, enquanto outros funcionários da tripulação exigiam 25% de aumento mínimo. A oferta de aumento do governo e da linha aérea estatal foi de 10,8% acumulado entre o período de julho e agosto. A proposta foi considerada insuficiente para os grêmios aeronáuticos e recusada, o que gerou uma série de protestos e paralisações pelo país. Ambas as decisões governamentais dos últimos dias reforçam a postura ultraliberal de corte de gastos e déficit zero no qual o governo vem insistindo desde que Milei chegou ao Executivo. No entanto, as medidas não têm dado certo. Mais da metade da população argentina, ou 52,9%, se encontra atualmente abaixo da linha da pobreza, informou nesta quinta-feira (26) o instituto de estatísticas do país, o Indec. A cifra representa aumento de 11,2 pontos percentuais em relação ao primeiro semestre de 2023. Milei assumiu a presidência argentina em dezembro, prometendo cortar gastos drasticamente. A inflação acumulada em julho foi de 263,4%, segundo informe do Indec de agosto. Os preços da cesta básica de consumo, que inclui produtos alimentícios, bebidas e produtos de limpeza, aumentaram 2,1% no último mês, acumulando alta de 237,2% desde julho de 2023.